terça-feira, 27 de outubro de 2009

MOBA


Em uma de suas andanças, já parou em alguma galeria de arte e observou uma determinada peça que te chamou a atenção pela sua suposta ‘feiura’? Ou, melhor (ou, ‘pior’?), pensou a seguinte frase: “Como que uma coisa dessa é considerada uma obra-de-arte?”. Com certeza isto já aconteceu com a maioria de nós, claro que a intenção do comentário é com todo respeito, apesar da tal agressividade. Mas há coisas que realmente é difícil de se entender. Vai saber, não é? Sempre existe pessoas com gostos “exóticos” demais para apreciação.
Bom, meu caro leitor, este singelo blog vem lhe informar que até os fracos e oprimidos destas tais manifestações em ordem estética tem seu espaço próprio para receber a admiração merecida. Estamos falando do Museu de Arte Ruim (MOBA - Museum Of Bad Arts), atualmente localizado Somerville Theatre, em Davis Square, Somerville, Massachusetts, nos EUA.
O museu privado, cujo o lema se distingue em “art too bad to be ignored”, ou seja, “Arte tão ruim de ser ignorada”, talvez seja único em seu gênero no mundo todo (pelo menos, oficialmente) dedicado à “língua-em-bochecha”, ou seja, a arte observada com um olhar humorístico, algo que não se destina a ser levada a sério, mas, a sua falta de seriedade é sutil. A maioria de suas obras se baseiam na arte Naïf, caracterizadas pela simplicidade infantil, que define o tipo de trabalho criado por pessoas com pouco ou nenhum treinamento formal de fazer arte. Mas nada disto impede o público de observar as obras com delicadeza e profundidade, chegando até a admira-las pela sua falta de beleza estética. E para ajudar nestas definições, ao lado das obras expostas contém descrições profundas, que chegam a ser engraçadas, com apresentações extensivas associadas às várias peças em toda a galeria, que muitas vezes são paródias de arte. Como por exemplo, a pintura de Peter Kitty, é acompanhada pela seguinte descrição: “Agitando no seu retrato de felina angústia. Estará Peter com fome ou contemplando o seu lugar em um mundo faminto? O artista tem evocado tanto desespero e contentamento com o seu uso irracional do espaço negativo...”.
Tem também a escultura curiosa feita por Carlos Rangel, chamada Red Figure With Braids (Figura vermelha com tranças). Uma boneca (?) comprida com 42"x5". Ao seu lado, o seguinte comentário: “Um monumento de auto-confiança. A pequena figura delicadamente equilibrada acima da altura, inclinada em relação a nós no cardeais cores, o seu orgulho no bolso realizou seu lado. Poderia ser este o antepassado de uma noite de televisão mostrando o acolhimento?” - profundo, não?!
Mas o fato mais curioso é sobre a tela “Lucy no campo de flores”, que foi achado no lixão pelo fundador Scott Wilson, e até hoje é reconhecido pelos americanos como “MOBA da Mona Lisa”. Sim, ela é considerada a Mona Lisa do museu. Com o sucesso da tela, a mesma sofreu um roubo que impressionou não só a polícia de Boston, como também o Boston Globe, um dos mais importantes jornais da região.
Apesar das brincadeiras, este museu leva suas exposições muito a sério, tendo como critério a seguinte missão: levar o pior de arte para o maior das audiências.

Sua história

O MOBA foi fundado em meados dos anos 90 por um grupo de amigos, que entre eles estava o arquiteto Scott Wilson que depois de achar a famosa “Mona Lisa” do museu, teve a idéia de funda-lo. Todos eles chegaram a conclusão que em nome de arte ruim, juntaram e elaboraram todas as suas obras para assim, montar o tão sonhado museu em um dos porões do Teatro comunitário da cidade de Dedham, no Estado de Massachusetts, EUA. Era aberto ao público todos os dias e gratuitamente. O local, para muitos, era considerado apropriado para a exibição das esculturas e pinturas. Mas, apesar de toda ironia do público e dos críticos de plantão, o MOBA começou a ser sucesso absoluto pelo mundo todo.
E é claro, como toda arte deve ter sua recompensa merecida, independente de suas inspirações, finalmente o MOBA mudou-se para um local maior e mais confortável. Em 2008, as obras-de-arte ruins começaram a ser expostas no Teatro da cidade de Somerville, em Davis Square, Massachusetts. Porém, desde a sua reinauguração está sendo cobrada uma tacha administrativa.

Eu sou artista!

Você que se acha um bom “artista ruim”, esta é a sua chance de mostrar ao mundo o seu valor, e divulgar as suas obras no Museu de Arte Ruim através do site: www.museumofbadart.org no link “donate”.
Neste site, você pode também conferir mais sobre a história, notícias, todas as obras expostas no museu com descrições detalhadas sobre a composição de cada uma delas, e caso alguma te chamar a atenção, você também pode adquiri-las preenchendo seus dados para poder compra-las à vontade.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Demode



Pois a vida é assim.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Acidente

Algumas pessoas já sabem (ou "meio" que sabem) que neste último domingo pela manhã eu sofri um acidente de carro, na Av. Miguel Sutil, depois do Círculo Militar. Graças a Deus - e olha que eu não costumo dizer isto - não aconteceu praticamente nada comigo. Sofri algumas batidas e o cinto deu uma marca "boa" no meu pescoço, mas nada comparado ao meu carro, que deu perda total.

Este é um post diferente neste Blog. Costumo escrever sobre diferentes assuntos, sobre os meus gostos e costumes, menos os pessoais demais. Mas achei interessante eu dividir este momento marcante da minha vida com vocês, e dizer brevemente que a vida muitas vezes se torna um fiasco diante aos acontecimentos que ela proporciona.

Bom, eu estava andando a mais ou menos 80Km/h pela a avenida. Já tinha sol no céu, e eu estava voltando da casa de um amigo. Apesar do sono, eu estava em boas condições para dirigir. Logo que passei em frente ao Clube Círculo Militar, percebi água escorrendo pela rua, que saía do local. Não me importando muito com a pista molhada, mantive a velocidade pelo fato de querer chegar logo em casa. Logo na curva, antes do posto de gasolina, percebi mais água na pista. Achando que era a mesma quantidade que a anterior, decidi seguir em frente. Mal eu sabia que, diferente da onde passei, havia praticamente um palmo de profundidade. Meu carro derrapou várias vezes. Tentei recuperar o controle, mas não consegui. Foi aí que bati no meio-fio, e o carro tombou, parando em cima da calçada, ao lado de uma árvore, de cabeça para baixo. Graças ao muro de uma casa e a uma árvore, me salvei de um poste que estava próximo. Em meio ao desespero, soltei um forte grito e quando menos esperei, eu estava da mesma posição que meu carro.

Logo que o carro parou, soltei o cinto de segurança - que por sorte, tenho o habito de usar - e cai sobre os estilhaços de vidro que sobrou do parabrisa. Minha coluna doía muito, o meu corpo estava fraco, e minha cabeça sem saber o que pensar direito. Não acreditava que estava naquela situação.

Algumas pessoas se aproximaram para me ajudar. Um policial abriu a porta do motorista, e me chamou para sair, pois era perigoso continuar lá. Mas não tinha forças suficientes para sair. O meu corpo estava em condições, mas a minha cabeça não. Logo quando dei a minha mão ao policial, senti uma sensação de alívio, coisa que achei que senti antes, mas era algo diferente. Estava com um sentimento de agradecimento eterno de estar viva, de não ter sofrido nada demais, de estar andando com a ajuda de muitas pessoas boas, que estavam no lugar certo e na hora certa para me acolher, entre outras coisas.

Logo após, os bombeiros e o SAMU chegou para me atender. Sai imobilizada com toda aparelhagem possível. Fiquei sem me mover um dia inteiro, mas sai do hospital no final da manhã.

Estou repousando em casa, e pelo visto vou ficar durante esta semana inteira. Mas não fico triste pelo meu carro, ou pela situação que estou passando, acho que fico agradecida por ter e estar passando por tudo isso, pois com certeza, estou tendo uma visão nova de vida e criando novas perspectivas à ela. Agradeço por estar aqui dividindo tudo isso com vocês, até para aquelas pessoas que não conheço, mas que vez ou outra comentam nos posts amadores que publico aqui.
Não sei qual será o "melhor acontecimento dos útlimos tempos", mas estarei disposta a responder possíveis pergutas - bom que vocês me ajudam a sair do tédio, pois eu só estou comendo, dormingo, lendo e assintindo televisão... help!
Pescoço marcado com cinto. Ê alegria!

Pernas roxas

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Setembro


Estou com preguiça de escrever agora, mas achei legal recomendar este filme. Acabei de vê-lo no no Sesc Arsenal, e o achei muito bom. Não é puxação de saco, mas até hoje eu não vi nenhum filme do Woody Allen que seja ruim, apesar de não ter assistido todos, mas posso dizer que vi boa parte. Enfim, vai uma pequena descrição do filme a vocês a seguir.


SINOPSE: Numa casa de campo em Vermont, seis pessoas passam o último dia de verão. Um cenário ideal para Woody Allen construir um tocante drama sobre o amor, a amizade e a família ao seu modo inconfundível de fazer cinema. Numa ciranda de paixões, Lane (MIA FARROW), a dona de casa, ama um publicitário, Peter (SAM WATERSON), que alugou sua casa de hóspedes. Mas Peter ama Stephanie (DIANNE WIEST), que se sente vazia com o fracasso de seu casamento. Há ainda Diane (ELAINE STRITCH), a mãe de Lane, e o vizinho Howard (DENHOLM ELLIOT) que ama Lane, para fechar o círculo. Nesse mundo fechado da casa de verão, os personagens compõem um painel de aspirações e obsessões, que Woody Allen explora como ninguém.



Curiosidades: Este filme ainda não tem em DVD, portanto, terão que rebolar pra encontrar uma cópia. Mas para aqueles adeptos à downloads, aí vai o link também: http://www.4shared.com/file/71510177/40025188/SEPTEMBER_Woody_Allen.html


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Van Gogh

Há 119 anos adormecia eternamente um dos pintores mais conceituados de todos os tempos da era pós-impressionista. Seu nome: Vincent Willem Van Gogh, ou simplesemente Van Gogh. Seu jeito único de pintar, com traços aleatórios de cores ofuscantes mescladas com cores mortas, revolucionou o mundo da arte no início do século 20. Mesmo com todo esse talento, Vicent van Gogh teve a sua vida marcada por fracassos em todos os âmbitos, tanto profissional como pessoal, tendo o trabalho reconhecido somente após a sua morte, deixando de herança à cultura a arte de pincelar sentimentos.

Nascido em Zundert, uma cidade próxima a Breda, na província de Brabante do Norte, nos Países Baixos, Vicent Van Gogh era filho de Theodorus, um pastor da Igreja Reformada Neerlandesa, e de Anna Cornelia Carbentus. Recebeu o mesmo nome de seu avô paterno e também daquele que seria o primogênito da família, morto antes mesmo de nascer exatamente um ano antes de seu nascimento. Especula-se que este fato tenha influenciado profundamente certos aspectos de sua personalidade, e que determinadas características de sua pintura (como a utilização de pares de figuras masculinas) tenham sido motivadas por isso. Ao todo, Vincent teve dois irmãos: Theodorus, apelidado de Theo, e Cornelius, e mais três irmãs: Elisabeth, Anna e Willemina.

Vincent era uma criança séria, quieta e introspectiva. Desenvolveu através dos anos uma grande amizade e forte ligação com seu irmão mais novo, Theo. Por influência do tio, aos 16 anos resolveu se mudar de casa para trabalhar como comerciante de artes. Sua vida então começou a se direcionar a assuntos religiosos, sendo demitido de seu emprego. Retornando à Inglaterra, tentou estudar Teologia e trabalhar voluntariamente em uma livraria, mas novamente encontrou o fracasso.

A Arte

Por influência de seu irmão Theodoro, Van Gogh começou a levar a pintura mais a sério. Em 1883, mudou-se para Nuenen (Holanda), onde se dedicou à pintura. Lá se apaixonou pela filha de uma vizinha, Margot Begemann. Decidiram se casar, mas suas famílias não aceitaram o casamento, o que fez com que Margot tentasse o suicídio.

Em 1885, o pai de Van Gogh morreu de infarte. Neste mesmo ano ele pintou aquela que é considerada a sua primeira grande obra: Os Comedores de Batata.

Em 1886, o pintor muda-se para Paris com seu irmão Theo. Por alguns meses, Vincent trabalhou no Estúdio Cormon, onde conheceu os artistas John Peter Russell, Émile Bernard e Henri de Toulouse-Lautrec, entre outros. Este último, alcóolatra, apresenta Van Gogh ao absinto, bebida popular da ocasião, que viria a ser muito consumida pelo pintor, que a retratou em Natureza Morta com Absinto.

Naquela época, o impressionismo tomava conta das galerias de arte de Paris, mas Van Gogh tinha problemas em assimilar esse novo conceito de pintura. Vincent começou o uso da técnica do pontilhismo, inspirados no pintor Georges Seurat. A partir de sua estada em Paris, Van Gogh abandona sua temática sombria e obscura de camponeses e suas obras recebem tons mais claros. São desta época os quadros Mulher Sentada no Café du Tambourin, A ponte Grande Jatte sobre o Sena, Quatro Girassóis, os Retratos de Père Tanguy, entre outros.

Muda-se para o interior da França com o amigo, também pintor, Gauguin. Apesar da admiração mútua entre os artistas, os dois tinham “incompatibilidade de temperamentos”, como o próprio amigo afirmava. Gauguin sentia-se incomodado com as variações de humor de Vincent, o que complicava ainda mais o relacionamento entre eles.

Um dos fatos que marcou também a personalidade de Van Gogh foi a loucura. Após a saída de Gauguin para uma caminhada, Van Gogh o segue e o surpreende com uma navalha aberta. Gauguin se assusta e decide pernoitar em uma pensão. Transtornado e com remorso pelo feito, Vincent corta um pedaço de sua orelha direita, embrulha-a em um lenço e leva, como presente, a uma prostituta. Vincent retorna à sua casa e deita-se para dormir como se nada tivesse acontecido. A polícia é avisada e encontra-o sem sentidos e ensanguentado. O artista é encaminhado ao hospital da cidade imediatamente.

Com a mudança psicológica, o estilo de pintura acompanhou esta fusão e Van Gogh trocou o pontilhado por pequenas pinceladas.

O artista começa a ter paranoias, imagina que lhe querem envenenar. Os cidadãos de Arles, apreensivos, solicitam seu internamento definitivo. Sendo assim, Van Gogh passa a viver no hospital de Arles como paciente e preso.

Abandonado pelo seu amigo Gauguin e rejeitado pelos cidadãos de Arles, Van Gogh se apega ainda mais ao irmão que estava para casar, deixando-o levar a uma depressão profunda de abandono. Em 1889, aos 36 anos, pediu para ser internado no hospital psiquiátrico em Saint-Paul-de-Mausole. A região do asilo possuía muitas searas de trigo, vinhas e olivais, que transformaram-se na principal fonte de inspiração para os quadros seguintes, que marcaram nova mudança de estilo: as pequenas pinceladas evoluíram para curvas espiraladas. Esta foi a época mais produtiva do artista, que pintava praticamente um quadro ao dia, sendo um deles inspirado no próprio médico que o consultara, a tela conhecida como Retrato do Doutor Gachet, que o mesmo não encontrou sucesso no estado de espírito do paciente.

Entretanto, a depressão agravou-se, e a 27 de julho de 1890, depois de semanas de intensa atividade criativa, Van Gogh dirige-se ao campo onde disparou um tiro contra o peito. Arrastou-se de volta à pensão onde se instalara e onde morreu dois dias depois, nos braços de seu irmão Theo. As suas últimas palavras, dirigidas a Theo, teriam sido: "La tristesse durera toujours" (em francês, "A tristeza durará para sempre").
Obs: Matéria de minha autoria que saiu hoje no Folha 3 da Folha do Estado.